O que é som?

     Essa não é uma pergunta fácil de responder, embora todos saibamos o que o som é, na prática. Para qualquer dúvida que temos, o primeiro ‘local’ onde procuramos a resposta é na nossa experiência. Portanto, nada mais natural para a maioria das pessoas do que dizer que som é tudo o que ouvimos.

Esse também foi o caminho na história…

     Muitos povos primevos definiam o som pelo que era ouvido. Nas buscas por algo que desse ânimo à todas as coisas, lá na antiguidade, muitos escolheram o som como princípio. Convenhamos que os sinais ajudavam muito à pensar assim: todo movimento, por menor que seja, gera som – quando você começa a pensar nesse aspecto o pensamento pode levá-lo longe. Imagine que quase tudo no mundo se move – espontaneamente ou não – e que cada pequeno movimento que cada coisa ou ser no mundo faz produz sons. Sons que se misturam e tornam-se um complexo produto daqueles atritos e movimentos…

…não demoraria muito para, naquela época, alguns concluírem que movimento e som são a mesma coisa – embora o movimento nós possamos enxergar e o som não, o que é um ponto importante. Uma vez que o motor que anima todas as coisas vivas era buscado e que esse ânimo era visto nos movimentos, o som – nunca visto, mas sempre junto – parecia, para muitos, a mais razoável explicação daquilo que dava movimento às coisas.

Hoje…

… dizemos, como escrevi antes, que todo movimento gera som.

A primeira constatação acerca do fenômeno acústico e da existência dos sons diz respeito a esta dupla lei inexorável: sem movimento não pode haver som, e todo movimento produz som, sejam estes percebidos ou não por nosso mecanismo auditivo.

Prof. Dr. Flo Menezes, em: ‘Acústica musical em palavras e sons’

     Mas observe que na definição do Professor Flo Menezes há uma importante distinção: o som existe percebamos nós ou não. Essa é uma mudança importante nas definições atuais, permitidas pelas transformações no estudo da física. Mas as definições ainda variam bastante – algo que podemos notar fazendo uma consulta rápida à dicionários não-específicos:

1. o efeito auditivo particular produzido por certa causa; 2. a sensação subjetiva de ouvir algo; 3. vibrações mecânicas transmitidas em um meio elástico.

Wolfram Alpha

1 .Tudo o que soa ou impressiona o sentido do ouvido; ruído. 2. Ruído ritmado, produzido por vibrações sonoras que se sucedem regularmente. 3. Timbre. 4. Voz.

Michaelis

Ondas

O som é a propagação de uma frente de compressão mecânica ou onda mecânica; é uma onda longitudinal, que se propaga de forma circuncêntrica, apenas em meios materiais – que têm massa e elasticidade, como os sólidos, líquidos ou gasosos.

Wikipédia

1. Vibração que se propaga pelo ar e que pode ser percebida pela audição; 2. Tudo o que é percebido pela audição, que se pode ouvir; barulho; ruído.

Aulete

1. tudo que é captado pelo sentido da audição, que podemos ouvir; ruído, barulho; 2. vibração que se propaga num meio elástico com uma frequência que compreende a região entre 20 e 20.000 hertz, capaz de ser percebida pelo sistema auditivo humano; 3. sensação auditiva provocada por essa vibração; 4. ruído ou timbre característico de uma determinada fonte sonora.

Houaiss

     Embora as definições não sejam exatas, quase todas apontam para duas questões em comum: o aspecto físico e o perceptivo.

     Isso parece claro se continuarmos procurando definições em estudiosos das área:

Som pode ser entendido como uma variação de pressão muito rápida que se propaga na forma de ondas em um meio elástico.

Prof. Dr. Fernando Iazzetta

O som é uma qualidade perceptiva que é resultada da percepção de distúrbios das moléculas de um meio em certo espaço de tempo. Esses distúrbios, por sua vez, apresentam-se em forma de ondas em sua propagação pelo meio.

Prof. Dr. Victor Lazzarini

Diapasão e ondas se propagando

Fenômeno físico e perceptivo

     Longe de querer melhorar as definições dos colegas professores citados, pretendo apenas deixar a minha. Nada muito distante das trazidas até aqui, mas com um enfoque que me é caro, que parece mais adequado à minha lógica – que é, afinal, a que teremos aqui através das postagens.

     Antes de cristalizar minha definição em uma frase, façamos o trajeto do que vimos até aqui nas diversas definições e, por enquanto, apenas do ponto de vista físico:

  • um som é sempre criado a partir de atrito/ movimento;
  • todo movimento gera som;
  • esse movimento tornado som é propagado;
  • ele é uma expansão e condensação das moléculas do ambiente (do ar, por exemplo), ou seja, alteração na pressão atmosférica das moléculas, anteriormente em repouso (na teoria).

Um exemplo

     Se movimento meus dedos agora para escrever aqui, isso faz com que moléculas do ar sejam movidas e, portanto, essa ação altera a pressão atmosférica nesse pequeno espaço. A força do meu movimento acabará, para mim, quando eu terminar de mexer os dedos, mas continuará pelo ar, porque uma molécula empurrará outra, que se moverá sobre a próxima e assim por diante, enquanto houver energia. Mas é importante não confundir: o que se move é essa ‘força’ e não a molécula. Essa ‘força’ é, justamente, o som. E ele se propaga em meios que possuam moléculas que possam vibrar e que possam ter sua pressão alterada, como a água ou o ar.

Propagação sonora

Concluindo…

     Como já vimos, na composição da definição do som é importante lembrar da ‘faceta’ perceptiva desse fenômeno. Por isso, a minha fica assim:

o som é uma variação muito rápida de pressão que se propaga em espaços elásticos em forma de ondas e que pode ser percebido pela audição (e pelo tato)

     Essa colocação do tato na definição não é um grande consenso – tanto que não observamos nas definições anteriores – mas uma vez que verifica-se que muitos músicos utilizam também dessa faceta para sentir o som, que atinge, além de ouvidos, a pele em geral, acaba sendo natural adicionar essa faceta à definições de som. O motivo da não-colocação do tato na maioria das definições é a diferenciação entre som e vibração. Ao mesmo tempo em que são a mesma coisa, são diferenciados.

Deixe uma resposta